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Minas Gerais

Aécio sobre uso político dos Correios pelo PT: indícios de crime sem precedentes na história de MG

Denúncias chegaram a ele revelando que o material de sua campanha não vem sendo entregue no Estado

Publicado em 1 de Outubro de 2014 23h13



O candidato à Presidência da República pela Coligação Muda Brasil, Aécio Neves, afirmou nesta quarta-feira (1/10), em Governador Valadares (MG), que desde que foi revelado o uso político dos Correios por parte das campanhas dos candidatos petistas Dilma Rousseff e Fernando Pimentel em Minas, centenas de denúncias chegaram a ele revelando que o material de sua campanha não vem sendo entregue no Estado. Para Aécio, essa é uma demonstração de indícios de um “crime sem precedentes” na história política de Minas Gerais.

 

“Estamos recebendo centenas de denúncias, hoje, ainda, de que as correspondências enviadas pela nossa campanha, de forma democrática, confiando na integridade de uma empresa secular, não chegaram aos seus destinatários”, relatou Aécio. “Se comprovado, será um crime sem precedentes na história política de Minas Gerais.”

 

Uma empresa terceirizada contratada pela campanha liderada pelo PSDB contratou os serviços dos Correios, em 25 de agosto, para a entrega de kit de propaganda do candidato a mais de 5,6 milhões de pessoas em várias cidades do interior de Minas. O material deveria chegar aos destinatários até 10 de setembro, mas nunca foi entregue.

 

“Estão querendo fraudar as eleições em Minas Gerais ao não permitir que a minha mensagem, do companheiro Pimenta da Veiga [candidato ao Governo de Minas] e do governador Anastasia [que concorre ao Senado] cheguem aos cidadãos e às cidadãs mineiras. Vamos fazer o que devemos fazer em defesa da democracia.”

 

Ato falho

 

Por ato falho ou imprudência, segundo Aécio Neves, os Correios chegaram a afirmar, em ofício, que enviariam novamente o material supostamente extraviado, o que acaba por confirmar a fraude. “Como enviar novamente, se não existia outra remessa para ser enviada? Acho que aí há um ato falho que aponta para o caminho de uma fraude que, se comprovada essa fraude, é algo absolutamente grave.”

 

O escândalo do aparelhamento dos Correios veio à tona com a divulgação da gravação de uma reunião fechada em que um candidato a deputado estadual pelo PT atribui a liderança da presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff nas pesquisas de intenção de voto em Minas à utilização eleitoral da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, estatal que detém o monopólio de serviços postais.

 

Aécio afirmou que o vídeo, em si, constitui prova de utilização indevida da empresa estatal. O candidato ressaltou ainda que, antes disso, a empresa terceirizada da campanha já havia advertido para a falha nos serviços postais.

 

“Antes desse episódio, já havia manifestação por escrito da empresa contratada para fazer a emissão dessas correspondências cobrando dos Correios que as cartas chegassem”, disse.

 

Ação no TSE

 

O candidato afirmou que serão tomadas várias providências na esfera judicial, como uma ação no Tribunal Superior Eleitoral e outra na Justiça criminal de Minas. “As denúncias são muito graves e nós vamos agir na Justiça para que os responsáveis sejam punidos exemplarmente.”

 

No campo político, Aécio disse que ele e o candidato do PSDB ao governo de Minas Gerais, Pimenta da Veiga, não vão permitir que o aparelhamento de órgãos federais se estenda a estatais de Minas, rechaçando uma vitória do PT no Estado.

 

“Não podemos permitir, como disse o governador Pimenta da Veiga, que aquilo que vem acontecendo com a Petrobras e que se anuncia agora nos Correios venha a acontecer nas nossas grandes empresas como a Cemig e a Copasa. Isso é patrimônio da nossa gente. Os governos passam. Essas empresas continuam a prestar serviços”, afirmou Aécio.